sábado, 27 de março de 2010

O gato na Arte

                                                        
Apesar de adorados por muitos, e da sua beleza e elegância, os gatos foram pouco retratados ao longo da história da a Arte. O link http://www.delmars.com/cats/catsart.shtml leva a uma interessante exposição sobre o tema, apresentada e comentada por um gato. Infelizmente o inteligente felino mia em inglês. O site merece uma visita mesmo de quem não fala a língua de Shakespeare e dos Beatles.


Mais para o lado utilitário, segue um link para um site com "dicas" para você organizar e armazenar os seus gatos: http://brainz.org/119-ways-store-and-organize-your-cats/
Muito útil.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A insanidade nossa de cada dia

(ilustração de Saul Steinberg)

sábado, 6 de março de 2010

Muito Prazer, Leitura

Giuseppe Arcimboldo. O Bibliotecário-1566. Skoklosters Slott, Balsta, Suécia
(ainda vou acabar esgotando as pinturas do Arcimboldo)

Ítalo Calvino disse carta vez: "Por que ler os clássicos? Porque é melhor do que não os ler." Não contente com essa resposta, desenvolveu o tema escrevendo um livro inteiro, "por que ler os clássicos". Ainda não tive o prazer de ler esse livro, mas felizmente tive a experiência enriquecedora de ler, e mais ainda de reler, vários livros considerados clássicos. Recomendo vivamente! Se quer uma sugestão, leia Dom Quixote, o clássico dos clássicos... É leve, divertido, envolvente, moderno, emocionante, inovador. Ninguém continua sendo a mesma pessoa depois de ler Dom Quixote.
A editora Abril tem feito uma bela campanha pela educação, da qual reproduzo uma lista de benefícios da leitura:

1) Amplia o conhecimento geral
2) Desenvolve o repertório
3) Estimula a criatividade
4) Aumenta o vocabulário
5) Emociona e causa impacto
6) Muda sua vida
7) Liga o senso crítico na tomada
8) Facilita a escrita

Uma observação: por algum motivo que não foi totalmente explicado pela neurociência, quando lemos no computador a nossa tendência é ler mais rápida e superficialmente. Ponto para os bons e velhos livros de papel!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Climatério das Frutas

 Vertumnus - pintura de Giuseppe Arcimboldo - século XVI 

Robert Wolke, professor emérito de química da universidade de Pittsburg e premiadíssimo autor de livros de divulgação científica, manteve durante anos uma coluna no jornal The Washington Post na qual repondia perguntas dos leitores sobre qualquer coisa associada com comida. Nada de receitas ou dicas de nutrição e saúde. Wolke respondia às perguntas dos leitores usando o seu profundo conhecimento de química, e muitas vezes realizava experimentos ele mesmo, em casa ou nos laboratórios da universidade.
Num dos seus livros, O que Einstein Disse ao Seu Cozinheiro 2 - mais ciência na cozinha, ele dá uma interessante explicação sobre o amadurecimento das frutas, que eu resumo aqui:

Para cada tipo de fruta há um ponto em que o amadurecimento atinge o seu pico, após o qual começa o período de senescência (deterioração) e finalmente o apodrecimento. O pico de amadurecimento é quando ela tem uma bela cor, textura macia e melhor sabor, porque os ácidos terão diminuído, os açúcares aumentado e várias substâncias responsáveis pelo aroma e sabor terão sido produzidas.

O curioso é que nem todas as frutas amadurecem da mesma forma. Embora a maioria das frutas atinja suas melhores qualidades quando amadurecida na árvore, os abacates, por exemplo, só amadurecem totalmente depois de colhidos.

Muitas frutas à venda nos supermercados são colhidas deliberadamente ainda verdes, para que aguentem melhor o transporte. Outras são colhidas, despachadas e vendidas quase maduras, com a polpa firme que ficará gradualmente macia.

Então é muito útil saber quais as frutas continuarão a amadurecer em casa e quais precisam ser compradas no ponto em que vão ser consumidas, para não haver surpresas. As frutas que continuam a amadurecer depois de colhidas emanam etileno, o gás do amadurecimento, e para potencializar o seu efeito elas devem ser guardadas fora da geladeira (o frio retarda as reações químicas), embaladas em papel, com alguns furos porque o excesso de etileno pode estragar as frutas. Uma maçã, banana ou maracujá, as campeãs de emissão de etileno, pode ser guardada junto com outras frutas, porque as frutas que emitem mais gás vão ajudar as mais "fraquinhas" a amadurecer.

Segue a lista de frutas não climatéricas (ou seja, não adianta comprá-las verdes): cereja, frutas cítricas. pepino, romã, amora, framboesa, morango e melão

Frutas climatéricas (continuam a amadurecer): maçã, damasco*, abacate*, banana, mirtilo*,figo*, goiaba, kiwi, manga, nectarina*, papaia, maracujá, pêssego*, pera, caqui*, abacaxi, ameixa*, marmelo e tomate.

* as frutas marcadas com asterisco melhoram a cor e textura, mas não ficam mais doces.

sábado, 30 de janeiro de 2010

As Atribulações do Sr. Bouguer

(Pierre Bouguer no Peru - gravura obtida no site http://www.sieland-online.de)

Os mapas de anomalia Bouguer são bem conhecidos por geólogos e geofísicos pela sua utilidade em prospecção de petróleo e de outros minerais, caracterizados por diferenças de densidade em relação às rochas em que estão encaixados. Quanto maior a massa de um material maior a atração gravitacional que ele exerce, e as diferenças na densidade dos diversos materiais encontrados no subsolo pode ser medida utilizando instrumentos extremamente sensíveis, conhecidos como gravímetros.
O que poucos conhecem é a vida aventurosa deste senhor francês do século XVIII. Após diversas publicações cíentíficas na área naval, estudos de magnetismo, e importantes descobertas na área da ótica (inventou a fotometria), Bouguer engajou-se numa expedição ao Peru para medir a dimensão do um grau de meridiano da Terra, com o intuito de provar que Newton estava errado e a Terra era uma esfera perfeita. Nessa expedição científica, uma das mais anti-sociais de toda a história do conhecimento humano, todos se desentenderam. Bouguer brigou com La Condamine, o outro líder da expedição, briga que se estendeu até  à morte dos dois, porque Bouguer era melhor cientista e La Condamine melhor escritor. O botânico da expedição enlouqueceu, o médico foi assassinado e Jean Godin, o terceiro membro mais importante da expedição, fugiu com uma menina de 13 anos. Os peruanos não só não ajudaram em nada os nobres cientistas franceses, como também também ficaram muito desconfiados de mais uma excentricidade francesa, essa invenção de escalar algumas das montanhans mais difíceis do mundo carregando enorme parafernália, quando poderiam muito bem fazer os mesmos experimentos e medições em locais muito mais aprazíveis, sem sair da França.
No fim das contas a expedição de Bouguer apenas comprovou o que não queria, porque outra expedição francesa, fazendo medições em outro local extremamente inóspito, o norte da Escandinávia, provou primeiro que realmente a forma Terra se aproxima mais de um elipsóide do que de uma esfera, o que as medidas de Bouguer apenas comprovaram.
Por outro lado, as medições de variações na aceleração da gravidade que Bouguer tentou fazer utilizando pêndulos, para comprovar a variação lateral na atração gravitacional devida à massa das montanhas, não deram certo, mas renderam a Bouguer o nome das anomalias gravimétricas, que continua a ser impresso em milhares e milhares de mapas, trabalhos científicos e teses ao redor do planeta, além de ter dado o nome a duas crateras, uma em Marte e outra na Lua, glória inefável que ele nunca conseguiu durante a sua vida.

Fonte: Bill Bryson: A Short History of Nearly Everything, wikipedia, http://www-history.mcs.st-and.ac.uk/