sábado, 1 de junho de 2013

Os Mestres dos Mestres dos Mestres dos...

Cherubini - do Grande Mestre Rafael


Um dos efeitos colaterais de correr por aí é encontrar pessoas. Pessoas conhecidas, quero dizer. Recentemente encontrei dois grandes mestres da minha vida: Rudolph Trouw e Miro.
Rudolph foi um professor da Faculdade de Geologia da UFRJ, e grande exemplo, modelo e ídolo de várias gerações de alunos. Não era nenhum carrasco, mas também não era dos mais 'bonzinhos', conseguia transmitir os seus conhecimentos de forma instigante, e fazia das rochas metamórficas um dos assuntos mais interessantes de toda a Geologia, uma matéria que, chegada a hora, nos fazia sentir como se finalmente nos estivéssemos tornando verdadeiros geólogos.
Miro (não sei o sobrenome dele e desconfio que ninguém sabe) foi um professor de Judô. Até hoje respeitadíssimo no meio, um verdadeiro "Grande Mestre". Ele era imbatível, dificilmente um aluno, mesmo os mais avançados faixa-preta, conseguia derrubá-lo num Randori, e era uma grande honra treinar com ele. Ele conseguia ensinar Judô para alunos extremamente avançados, com ênfase nos fundamentos do 'Caminho da Suavidade', a verdadeira essência desse esporte. Ele teve sérios problemas de coluna na sua juventude, mas conseguiu superá-los e tornar-se um grande campeão, talvez daí viesse a sua preocupação em ensinar a forma mais elegante de executar cada movimento, com a postura correta, sem maltratar a coluna.
Houve muitos outros, a quem sou muito grata, como Joel Valença, Colin Reeves, a querida Tutuca, entre muitos outros, além de colegas de trabalho mais experientes (e às vezes menos), a quem devo muito, mas foi uma coincidência e uma alegria muito grandes encontrar o Miro e o Rudolph no mesmo dia. Obrigada!

domingo, 12 de maio de 2013

Abaixo a Ditadura dos Números!


Neste nosso mundo pós-bi-milenar e muito moderno, uma coisa que me faz espécie é a tirania dos números. Televisão de 30 polegadas (quanto é uma polegada mesmo?), azeite com 0.5% de acidez, vinho com 14% de alcool, Cocacola Zero, lençóis de 200 fios por polegada (mais uma vez, quem sabe quanto é uma polegada?), máquinas de café de 19 bares, café 100% Arábica, chocolate 85% cacau, e outros objetos e alimentos indispensáveis para a nossa saúde e bem estar são medidos por números, dos quais a maioria das pessoas, e nela eu me incluo, desconhece completamente o significado. E, para mais me espantar, cada vez as pessoas têm menos intimidade com os números e fazem escolhas muito melhores baseadas na intuição, como demonstra Jonah Lerer no seu excelente livro "Como Decidimos", no qual ele mostra e relata experimentos que mostram que o excesso de informações irrelevantes nos faz tomar decisões insensatas.
Na faculdade em que eu tive o privilégio de estudar e conviver com excelentes professores, aprendi a confiar nas evidências científicas, a embasar o pensamento em fatos, lidar com conceitos como acurácia e precisão, e desconfiar de qualquer tipo de pseudo-ciência baseada em opiniões e não em evidências. 
Então por que de repente me deu este rompante de aversão pela matemática? Na verdade não é aversão pela matemática, mas por fatos supostamente incontestáveis embasados em números incompreensíveis com que nos bombardeiam sistematicamente os meios de comunicação. Será que importa mesmo se a pressão da máquina de café é maior do que 15 bar? Quanto é um bar mesmo? E se eu gostar mesmo de café mal torrado e fervido com açúcar cristal, coado naqueles coadores de flanela que já não se encontra mais?




domingo, 21 de abril de 2013

Livros, livros e mais livros!

Real Gabinete Português de Leitura - Rio de Janeiro
 
Num mundo cada vez mais complicado, onde a hipocrisia anda de mãos dadas com o stress, cada vez mais precisamos de refletir sobre o que nos motiva a continuar... Hoje li um artigo sobre um comercial da Volkswagen que foi censurado por grupos de "gatófilos", que se indignaram porque havia associação de gatos pretos e azar. Como se isso fosse alguma novidade.
A gigante Volks curvou-se à censura e retirou o comercial. Nada contra os gatófilos, muito menos os gatos pretos, eu mesma convivo com um, o Sr. B., há mais de 17 anos, mas assusta-me pensar que não se pode mais brincar com a associação entre gatos pretos e falta de sorte...
Revolta-me o pouco apreço que muita gente tem pela liberdade de expressão, principalmente quando ela contraria as suas convicções do momento, seja proteção aos animais, orientação política, religião, ou seja lá o que for. E se esquecem que as ideias sempre progrediram em cima dos alicerces do passado,  e que os antigos não eram tão burros como alguns moderninhos gostam de fazer parecer, e que algumas ideias moderninhas são bem mais antigas que os atuais formadores de opinião gostam de nos impingir.

Remédio para isso: Livros, livros e mais livros!
 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pratos Toscanos e Crianças Malcriadas

Nada me dá mais prazer do que comprar novidades para a minha cozinha. Esta semana comprei  um lindo jogo de louças toscanas, bem rústico, como o prato da figura acima. Quando li com mais atenção os dizeres na caixa, descobri que era resistente ao microondas e máquina de lavar louça, e mais ainda: era fabricado na China! Fiquei admirada com as voltas tortuosas que este nosso planeta dá. A China, berço da civilização que criou as mais lindas e refinadas porcelanas, fabrica imitações de rústicas faianças Toscanas, e exporta-as para o Brasil. Coisas do mundo globalizado, que me deixam perplexa e intrigada.
Não teria pensado mais no assunto se não tivesse, no dia seguinte, visto a notícia de que um rapaz havia sido barbaramente espancado por tentar defender um mendigo que estava prestes a ser massacrado por um grupo de rapazes, e assistido a uma cena na fila de um restaurante do tipo self-service: um rapazinho de uns seis ou sete anos dava ordens à sua mãe (ou tia ou irmã mais velha) sobre o que ela poderia ou não servir no seu prato. Eram ordens secas, como "arroz!", "carne!", "batata não!". A dedicada mulher obedecia passivamente às ordens do pequeno tirano, sem em nenhum momento contrariar as suas vontades, e muito menos incentivar o uso das antiquadas expressões "por favor" e "obrigado". Fiquei pensando se não foi esse o tipo de educação que os espancadores de mendigos receberam.
Sentindo-me vagamente inadequada para viver neste planeta tão estranho, vi uma garotinha na rua ostentando uma camiseta com os dizeres "I'm too pretty to do math", algo como "sou bonitinha demais para estudar matemática". Fiquei pensando na intenção de quem comprou essa camiseta para essa garotinha. Sabotar a sua educação? A garotinha era graciosa, como todas da sua idade, mas será que alguém acha que ela não precisa estudar? Quem sabe ela um dia será juíza, e irá julgar espancadores de mendigos? Ou engenheira, e terá que aprovar reformas em prédios antigos? Ou empresária, e terá que competir com os produtos chineses? Para tudo isso ela terá que estudar muita matemática, entre outras matérias.
Desejo boa sorte a todas essas crianças, e espero que um dia perdoem a nossa geração pela baixa qualidade da educação que estão recebendo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Rocambole de Laranja

Foto: Blackberry (por isso está assim, um pouco fora de foco)

Quando estou à toa não costumo ter idéias brilhantes nem criar obras-primas, mas este rocambole que encontrei num livrinho de receitas do açúcar União foi uma grande descoberta:

Ingredientes:
8 ovos
1 xícara (chá) de suco de laranja
1 colher (sopa) de raspas de laranja
3 xícaras (chá) de açúcar (500g)
2 colheres (chá) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina derretida
açúcar granulado

Preparação:
Junte os ovos, o suco e as raspas de laranja e passe pela peneira duas vezes. Acrescente o açúcar, a farinha e a manteiga. Coloque em uma assadeira untada e forrada com papel manteiga também untado. Asse em forno preaquecido por cerca de 30 minutos.
Desenforme sobre um pano úmido polvilhado com o açúcar granulado e  enrole formando um rocambole. Mantenha enrolado até esfriar. Passe para o prato de servir, polvilhe com mais um pouco de açúcar granulado e sirva gelado.

Eu usei uma forma de cerca de 22 por 34 centímetros, e enrolei no sentido do lado maior da forma, ou seja, o rocambole ficou com 22 centímetros de comprimento.

Fonte: Livro de receitas "Doces Segredos e Carinhos", do açúcar União

Ficou igualzinho ao servido no Zazariba, Da Silva e outros restaurantes chiques do centro do Rio