Mostrando postagens com marcador curiosidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador curiosidades. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de outubro de 2024

Coisas que eu gosto

Sei Shonagon

 

Recentemente ouvi uma coach de escrita dizer de forma pejorativa que, se você quer escrever sobre "coisas que eu gosto" no seu blog, não precisa de ajuda. Achei engraçado e resolvi escrever exatamente sobre isso. Então comecei a tentar organizar as minha lista de "coisas"

 E como eu estava nadando no mar, o primeiro item da lista foi :

Natação em águas abertas 

Gostei da ideia, resolvi elaborá-la mais e organizar a minha lista de acordo com os cinco sentidos.

Livros - olfato e tato

Gatos - audição, tato e olfato (os gatinhos têm um cheirinho característico que os seus donos adoram)

Cogumelos - paladar, olfato e tato

Mar - visão, audição, paladar,  olfato e tato: essa foi o mais completa

Sexo - também desperta os cinco sentidos, mas de outro jeito… 

Uma pergunta para nos fazer refletir: - banana é melhor do que sexo?

Our Mother's House - um dos meus filmes prediletos. Trata de um grupo de irmãos que enterram a própria mãe no quintal e tentam continuar a vida como se nada tivesse acontecido. 

Yesterday - a canção dos Beatles é a favorita de muita gente, mas eu estou falando do filme em que só o protagonista se lembra deles. Eu às vezes me sinto assim, parece que só eu me lembro de algumas coisas. Um dia desses escrevo sobre isso.

Escadas malucas - a maioria eu só conheço de fotos, mas sempre despertam a imaginação.

Depois de começar esta postagem, li alguma coisa sobre Sei Shonagon, uma escritora japonesa que viveu  de 966 a 1017 e esreveu, entre outras obras o "Livro de Travesseiro", no qual ela incluiu várias listas de 'coisas', algumas de que ela gostava, e outras de coisas que fazem o coração bater mais rápidocoisas que não combinamcoisas que causam insegurançacoisas que são uma perda de tempocoisas que melhoram ao ser pintadascoisas que pioram ao ser pintadas. Gostei de saber que estou em tão boa companhia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Memorabilia

 


The Cluttered Attic by Steve Crisp

Há umas palavras que lemos primeiro em outra língua, em geral inglês, e depois descobrimos que também existem em português. Memorabilia (lê-se memorábilia) é uma delas. Pode significar uma coleção de objetos relacionados com um tema, como um time de futebol ou uma banda de música, por exemplo "memorabilia dos Beatles", ou simplesmente fatos ou coisas que suscitam lembranças. 

Há algum tempo, inspirada por um amigo português que reencontrei depois de quatro décadas, que falou em "Idéias Peregrinas", comecei a compilar um dicionário de palavras e frases da minha infância. Comecei devagar, pelas idéias peregrinas, e a coisa foi crescendo. Atualmente o dicionário tem 31 páginas e mais de mil entradas, e tenho ainda uma lista interminável de palavras e frases que ainda preciso de incluir nele.

Formei um grupo de Whatsapp com os meus cinco irmãos para irmos guardando lá as palavras de que nos formos lembrando. Às vezes damos boas risadas. De vez em quando aparece uma palavra ou frase de que só um de nós se lembra. Os mais prolíficos nessas palavras desirmanadas são o irmão mais velho e o mais novo, como é de se esperar. Não só eles são "mais loucos do que trinta cabras", mas também são o que começou primeiro, e o último a conviver com os nossos pais, depois dos outros saírem de casa. Inicialmente o dicionário era mais de expressões lá de Portugal, mas depois fomos incluindo algumas também do Brasil, que foram sendo incorporadas ao folclore da família.

Segue uma seleção de algumas de palavras ou frases pinçadas no dicionário da família. Espero que gostem.

  • Abichar: obter alguma coisa através de ardil
  • Bota-de-elástico: uma pessoa antiquada e um pouco ridícula
  • Coca-bichinhos: pessoa que se ocupa com coisas miúdas
  • Desarrincanço: uma solução genial para algum problema
  • Estafermo: pessoa de mau caráter
  • Fosquinhas, fazer: fazer gracinhas
  • Gaifonas, fazer: fazer caretas acompanhadas de gestos exagerados
  • Herodes para Pilatos, andar de: ter que ir a muitos lugares diferentes para resolver alguma coisa
  • Ideias peregrinas: ideias mirabolantes, que vão e voltam
  • Javardo: pessoa que não tem bons modos à mesa
  • Limpar as mãos à parede: conclusão de um serviço muito mal feito: “podes limpar as mãos à parede!”
  • Mata-cavalos, ir a: muito depressa
  • Nem o pai morre, nem a gente almoça: quando uma situação não ata nem desata
  • Olhos de carneiro mal morto: olhos semicerrados
  • Peúgas desirmanadas: meias desemparceiradas
  • Quando o rei faz anos: muito raramente
  • Rabiobeque: ornamento desnecessário
  • Sarilho, ou “bonito sarilho”: complicação, problema quase insolúvel
  • Tagaté: brincadeira para estimular uma criança pequena: "fazer tagatés"
  • Urso!  malcriado
  • Vê lá se te caem os parentes na lama! quando alguém não quer fazer um trabalho por ser humilhante
  • Xeque-morango: uma regra inventada na hora para ganhar um jogo que já estava perdido
  • Zurrapa: comida ou bebida muito ruim

domingo, 8 de novembro de 2020

O mundo é branco



Eu sempre atribuí cores a números, letras e sons. Para mim, número dois é vermelho. O som do A é preto. Os sabores para mim têm as cores dos alimentos. Acho que todos temos um pouco dessa ligação entre os sentidos. Falei neste fenômeno porque recentemente passei por um período de anosmia, ou perda do olfato, que me fez lembrar dessa relação entre os sentidos. De repente uma dimensão do mundo ficou totalmente branca para mim. Não foi uma experiência totalmente negativa, foi mais estranha do que horrível. Os alimentos não tinham cheiro de nada, mas tinham sabor, então comer era sempre uma surpresa, em geral agradável. Foram poucos dias, o olfato voltou gradativamente, começando pelos produtos naturais, como a comida, e ainda permanece enfraquecido, quase três meses depois, para produtos químicos, como água sanitária.
Sei que este post não é dos mais interessantes, mas deixo aqui registrada mais uma das minhas impressões da pandemia de COVID-19. A anosmia é um dos sintomas mais frequentes dessa doença.
.............................................................................
"A sinestesia é uma condição neurológica do cérebro que interpreta de diferentes formas os sinais percebidos pelo nosso sistema sensorial. É uma confusão neurológica que provoca a percepção de vários sentidos de uma só vez. Essa condição não é considerada uma doença mental, e sim uma forma diferente que o cérebro tem de interpretar os sinais. Uma em cada duas mil pessoas têm sinestesia, e essas pessoas podem ver sons, sentir cores ou o paladar das formas."
(MORAES, Paula Louredo. "Sinestesia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/oscincosentidos/sinestesia.htm. Acesso em 22 de setembro de 2020.)



sábado, 23 de maio de 2020

Flush e outros bichos

A morte do gato Murr - gravura de 1864 de Fernando II de Portugal (fonte: wikipedia)
Às vezes os grandes escritores disfarçam-se de animais, para lançar um olhar perplexo sobre os outros seres humanos. Lembrei-me de alguns livros escritos assim, narrados por cães e gatos, sabendo que há centenas, ou até milhares, de outros. Esta é só uma pequena seleção, que recomendo vivamente que leiam, são todos pequenas jóias:

Flush - este foi o único livro com que Virgínia Woolf ganhou algum dinheiro, que aproveitou para dar um carro à sua irmã Vanessa. É a biografia da poeta Elizabeth Browning narrada do ponto de vista do seu simpático Cocker Spaniel, Flush.

Mürr - é a obra-prima inacabada do escritor alemão E.T.A. Hoffmann. É parte dos "Contos Fantásticos de Hoffman", que deram origem a uma linda ópera, uma das mais populares de todas. O gato Murr gatafunhou as suas memórias em folhas arrancadas da biografia do seu companheiro humano, o Mestre de Capela Kreisler. As considerações do gato Murr ficaram para sempre misturadas com as do Sr. Kreisler. O gato Murr tem-se em grande consideração, é lindo e inteligente, e despreza o seu mestre e as suas complicações amorosas e devaneios artísticos. 

Mrs.Chippy - a divertida narrativa da expedição do Endurance feita pelo gato de estimação do carpinteiro de bordo, na época figuras importantíssimas em qualquer navio (carpinteiros e gatos). Eu escrevi sobre este livro aqui no blog em setembro de 2009.

Eu sou um Gato - um clássico da literatura japonesa, que demonstra que a ideia de escrever sobre os humanos do ponto de vista dos animais surgiu em várias culturas, e gerou várias obras primas. Eu já escrevi sobre "Eu sou um Gato" em novembro de 2019.

Ao escrever pela ótica dos animais os autores procuraram despir-se dos próprios preconceitos para tentar entender e revelar um pouco mais sobre as pessoas. E conseguiram fazê-lo de forma muito leve, esses quatro livros são extremamente divertidos.

Há muitos outros exemplos, claro. Encontrei a lista a seguir na web:
https://www.goodreads.com/list/show/12395.Best_Books_Written_from_an_Animal_s_POV


terça-feira, 28 de abril de 2020

Festas macabras e ursinhos fofos

Cabeças em estacas - fonte: wikipedia 

Quando acabaram os tempos do Terror, depois da Revolução Francesa, alguns parentes de pessoas que haviam sido guilhotinadas passaram a organizar os chamados "Bals des Victimes". Eram bailes em que as pessoas se fantasiavam de guilhotinados, usando cabelos curtos, xales e gargantilhas vermelhas, entre outros adereços macabros. Há historiadores que não acreditam na veracidade desses bailes, dizem que foi uma invenção posterior: Fake News do século XIX. Lembrei-me desses bailes ao ler que andam organizando festas clandestinas durante a pandemia, e em algumas até distribuem máscaras cirúrgicas engraçadinhas aos convidados. Como disse alguém, o que aprendemos com a história é que nada se aprende com a história.


Um destes dias recebi uma figura de um ursinho fofo fazendo um coração com as patas/mãos. Achei a coisa mais piegas do mundo, e fiz uma anotação mental de nunca mandar uma figura dessas para ninguém. Fazer "figura de urso", em Portugal, quer dizer passar vergonha. Dias depois, ao receber notícias tristes, para as quais não havia resposta possível, o que eu fiz? Mandei o ursinho. Depois disso já mandei a ilustração do ursinho para várias pessoas. Neste mundo de cabeça para baixo precisamos de mais ursinhos fofos e de menos arrogância intelectual. Espero que quando esta pandemia passar, os ursinhos fofos permaneçam entre nós e se espalhem, trazendo mais cordialidade e unindo as pessoas.


Foto de Ivan Radic “Lonely teddy bear looking through the window”

Shot on Nikon D610 and Nikon 85mm F1.4G

sábado, 20 de julho de 2013

A Igreja da Rússia

Abandoned Church in Uvarovskoe: clique aqui para ver em 360º

 
Um dia destes estava procurando a cidadezinha de um colega russo que me deu um imã de geladeira com a imagem da catedral e o nome da cidade, e encontrei esta fotografia de uma igreja abandonada. Olhei, rodei os 360 graus da fotografia, fechei e desisti de procurar a cidade do meu colega.
Mas a fotografia da igreja não me saiu mais da cabeça e voltei a procurá-la no Google. O que levou as pessoas a arranjar um altar com tanto esmero no meio dessas ruínas? Na época do comunismo, seria um local de culto clandestino? E mesmo com os ares da liberdade, as pessoas mantiveram o local secreto? Ou houve um massacre e é uma homenagem às vítimas? Ou um milagre? Pensei pedir mais informações aos meus amigos russos mas, pensando melhor, decidi não fazer isso e manter esse pequeno mistério, que compartilho aqui com os meus fiéis seguidores.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Vai bugiar!

Farol do Bugio - foto por catpochi no Panoramio

Quando éramos pequenos e arreliávamos demasiado a nossa mãe, às vezes ela mandáva-nos "bugiar". Li em algum lugar (Dr. Google, I presume) que bugio é um tipo de macaco e que essa expressão é mais ou menos equivalente a mandar alguém pentear macacos, e que já era usada por Gil Vicente no século XVI: "Vai, vai, Joana, bugiar, não andes com o alpavardo". Ignorante como eu era (e ainda sou), imaginava que o que e minha mãe queria era mandar-nos fazer alguma tarefa no para mim longínquo farol do Bugio, que avistávamos de vez em quando na foz do rio Tejo. Como o farol era para mim tão distante e inatingível, essa tarefa iria demorar muito, e talvez nos perdêssemos pelo caminho, deixando assim de amofinar a paciência da nossa mãe por um bom tempo.
Esse aparentemente pequeno farol fica no único banco de areia que fica sempre acima da linha das marés na foz do Tejo, dentro de uma fortaleza de contorno circular, parecendo uma vela no seu castiçal, daí o nome Bugio (de bougie, vela em francês). Inicialmente foi construído sobre fundações de madeira sustentadas por pedras, e foi destruído e reconstruído várias vezes ao longo do tempo, uma delas por ocasião do grande terremoto de 1755. Foi usado durante séculos para defesa de Lisboa, e hoje em dia ainda tem a função de auxílio à navegação.
Por que resolvi escrever isto? Porque de repente lembrei-me desse farol e dessa expressão, tão íntimos para mim. Não sei se foi ao avistar o farol quando fui a Lisboa, ou se foi apenas na minha imaginação, mas foi uma impressão forte e agradável, como uma das recordações de Agatha Christie, que me veio de repente e não saiu mais da minha cabeça, e por isso resolvi depositá-la aqui.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sousa Lopes - Um pintor português nas trincheiras

Destruição de um obus - 1925, óleo sobre tela, 470 x 298 cm,
Museu Militar, Sala da Grande Guerra, Lisboa, Portugal


Vejam o link para matéria do jornal Público: